Sou mãe de um anjo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

2 MESES!!

Faz tempo que não escrevo... deu vontade.
É lá se vão dois meses sem a Manu, não posso dizer que continuo chorando e me lamentando... é claro que a saudade só aumenta, porém alivia quando lembro dos bons momentos: da alegria desaber que gerava uma vida, da alegria de sentir ela mexer, da alegria de saber que era menina (é claro seria a mesma alegria se fosse menino) afinal filho é filho sempre, da alegria de comprar e ganhar presentinhos.. enfim da alegria de ser mãe, saber que vc gera em seu ventre a vida. Infelizmente a mesma vida que não pude segurar dentro de mim, se tivesse que dar minha vida por ela EU DARIA. Sem pensar uma só vez em nada, simplesmente tiraria de mim e daria para ela. Mas não foi me dada essa possibilidade. Talvez melhor assim, pq hj posso engravidar outra vez e, sei, dentro de mim que um dia vou encontrar a Manu (em algum lugar) vou beija-la, abraça-la, dizer pra ela o quanto eu amo, o quanto sempre a amei e sempre a amarei. Um filho nunca substitui o outrto, por isso a Manu será insubistituivel, mas darei o mesmo amor para o próximo que vira. E jamais apagarei, da minha vida, a memória dela.
Ela foi um anjo que me fez a mulher mais feliz do mundo, por pouco tempo mas verdadeiramente feliz!!!
O tempo passa, e dizem que ele é o "SENHOR DA RAZÃO" - SERÁ? - Acho que não, afinal não achei razão ou motivo para te-la perdido... ao invez de razão sobrou e sobra é saudade, uma saudade as vezes boa outras vezes nem tanto.. apenas SAUDADE!!!
É claro que entendo que Deus é supremo e SENHOR DA SABEDORIA, e deve ter tido os motivos dELe para te-la levado, mas vai explicar pro meu coração ter ficado sem meu tesourinho, ele fica machucado, doido mesmo... só que tudo isso vai passar ou pelo menos aliviar.
To esperando anciosa dia 18 de dezembro (dia que ela iria nascer) sei que provavelmente não vai ser fácil, bom nem tudo tem sido fácil, porém dia 18 vai ser só um pouquinho mais dificil. Na verdade se pudesse dormiria hj e só acordaria ano que vem. Mas isso não trara Manu, então vamos enguer a cabeça e bola pra frente. Se Deus quiser dia 18 não deixara marcas.
Bom, por hj é só.. terça vou ao médico (cirurgião vascular) e farei perguntinhas e quero respostinhas. Só pra tirar as minhas dúvidas quanto ao fato da trombofebrite ter alguma culpa em tudo o que aconteceu. E mesmo que tenha, não adianta mais pra Manu.. adianta é pra os próximos.
Beijos e fiquem com DEUS!!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Chorei, chorei como nunca pensava que iria chorar antes.
Sofri, tudo o que tinha pra sofrer abraçada as coisinhas dela.. guardei tudo em uma sacola e coloquei longe do alcance das mãos.
A vida tinha de continuar, mesmo com todos os esforços da minha mãe, pai, marido... a perda era minha, a falta, a dor o sentimento de incompetência era meu. Só que eu tinha de viver. Tá certo que eu queria morrer, sumir, evaporar.. mas não posso ser egoista... queria minha filha de volta mas também queria fazer parar aquela dor.
Bom, sofri também pq dos meus seios saiam leite.. e ninguem para alimentar. Mas no hospital passaram um medicamento e em poucos dias parou o leite.
Meus, pais ficaram na minha casa por uma semana. Pq quando me internei na sexta, meu marido ficou apavorado e foi até Santos buscar meus pais. Tenho de agradecer aqui ao Rivelino, o rapaz amigo de meu marido que foi buscar e levar meus pais em Santos.
Então, eles ficaram lá em casa... minha mãe na minha cola. Não queria que eu fizesse nada. Mas vc já perdeu o filho, está triste.. ficar na cama não vai resolver e nem aliviar sua dor. Eu dizia que se ficasse na cama acabaria louca. Mas a preocupação dela é pq eu tinha feito um parto, e precisava me resguardar. Porém, digo, cada um sabe seu limite. E eu não ultrapassei o meu.
Daí quando tudo já havia passado, eu em casa, minha filha sepultada... outro terror aparece: Por uns dois dias na mesma hora em que eu fui ao banheiro e vi saindo o liquido de mim, me dava um desespero, chorava, gritava, me arrepiava.. PÂNICO!! Só posso resumir nisso. Um verdadeiro terror passava por mim. Dois dias depois das 11hs da manhã. Mas meus pais me ajudaram muito.
Meu marido ficou perdido, e não tocava no assunto. Devo admitir que isso não ajuda. Quando a gente passa por isso a gente quer falar. Até esgotar todas as nossas racionalizações. E nisso meus pais ajudaram muito.
O tempo passou, final de semana.. já fazia uma semana.. fui com meus pais pra Santos, passei o final de semana lá e voltei na segunda. Com corte de cabelo novo.. mas com a mesma vida. A dor tinha hora que diminuia, outras aumentava muito.. chorei por diversas vezes sozinha.. mas perto da hora de dormir chorava compulsivamente. Era nessa hora que ela mexia. E meu marido com a maior paciencia. Coitado, tentando esquecer a visão dela no caixão e tendo de me consolar. Eu queria ter visto ela e pedia pra ele me dizer como era ela.
Segunda semana, terceira semana, um mês.. estou me reerguendo.
Bom, no dia 19 perdi minha filha, no dia 30 meu marido se tornou avô. Anna Alice, uma princesa...confesso que fiquei com medo de ve-la, mas graças a Deus consegui ve-la, cuidei dela e da mãe na primeira semana (lá na minha casa) foi bom, não tive tempo de sofrer.. e a melhor noticia vou ser a madrinha dela. Ajudou muito minha recuperação.

BOM, MAS TENHO DE AGRADECER AQUI A UMA PESSOA QUE EU NÃO CONHEÇO PESSOALMENTE.. MAS MEU CORAÇÃO CONHECE: SIMONE MENDONÇA DINIZ essa muher maravilhosa foi minha inspiração para estar aqui escrevendo, ela é a escritora do livro PERDI MEU BEBÊ. POR QUÊ? - onde ela descreve a história dela, um pouco diferente mas de perda e o mais importante de uma maravihosa CONQUISTA E VITÓRIA!! - Editora Livro Pronto

É claro que estou em processo de recuperação, apesar que sei que uma perda como essa não tem recuperação e sim cicatrização. Ainda conto as semanas, quando perdi estava com 26.. sei que dia 18 de dezembro era a provavelmente o dia dela nascer e por coincisdência o dia do aniversário do meu marido. Vai ser barra ou não. O jeito é esperar pra ver.
Mas o mais importante é que cada dia é um dia, cada dia o sol nasce mais uma vez, cada dia é mais uma esperança. Agora é hora de ir ao médico, me cercar de todos os cuidados, confiar em DEUS e a partir de março volta a tentar e se DEUS QUISER EM NOME DE JESUS concretizar esse tão doce e maravilhoso sonho. É claro que me considero mãe, a Emanuele sempre vai ser minha primeira filha, não terei outra com o mesmo nome (esse era o medo do meu pai).. ela é e sempre sera meu amor, minha luz (ou melhor uma luz para iluminar meus passos).. ela era tão boa que DEUS achou melhor deixar ela lá no céu junto dele.. brincando nos braços Dele junto aos outros anjinhos como ela.

É claro quero agradecer a Simone (como já falei), Josi, Andressa, Naiara, Débora, Clara, Quel e a Eunice (Todas perderam suas "vidinhas" e mesmo assim tiraram força para me dar força. Mulheres FORTE, GUERREIRAS e já VITORIOSAS em nome de JESUS!!!


Bom, à partir de agora começo a escrever fazendo daqui meu diário.

BEIJOS E FIQUEM COM DEUS.. VOLTO EM BREVE!!!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

bom, ao chegarem ao hospital souberam que era para cuidar do enterro da minha bebê. Eu estava bem, e ainda me recuperava da anestesia. Fui levada para um quarto, minha maior preocupação (eu não queria dividir o quarto com nenhuma mãe que tivesse seu bebê do lado) mas graças a Deus havia uma enfermaria para casos com o meu.
Bom, como havia tomado anestesia não pudia levantar a cabeça, em mesma situação tinha mais duas companheiras de quarto... e mais duas que estavam se recuperando de outros procedimentos. Comecei a sentir minhas pernas e uma hora da manhã fui autorizada a levantar. Foi uma noite bem dificil, minha cabeça fervia, queria saber noticias dos meus pais e meu marido, queria saber o que ia acontecer com minha bebê. Apesar que uma enfermeira me explicou: se tivesse mais de 500 gramas, haveria enterro. Queria saber o que a contecia. Finalmente amanheceu.
Não via a hora de falar com o médico e receber minha alta. Ele chegou e começou a liberar minhas companheiras, eramos em 05 no quarto... e ele liberou apenas 3. Eu e a Sebastiana continuarimos ali. Bom, só que nossas amigas tiveram que esperar até a hora da visita para poderem sair. Conclusão, o tempo passou rapido fcamos conversando e trocando experiencia.
Chega a hora da visita e eu descubro que porta era aquela que tinha do lado do meu quarto.. era justamente por lá que entravam as vizitas. Vi meu marido passando e gritei por ele (como ele não sabia aonde eu estava ia no pre parto que foi onde havia me visto da ultima vez).. ele voltou. Nossa, como foi bom ve-lo. Ele estava visivelmente cansado e abalado. Me contou, sem muitos detalhes o que havia acontecido. Disse tudo o que teve de fazer pra poder enterranar nossa filha, foi ao IML, delegacia, precisou de autorização no cemitério.. Mas o que não saia da cabeça dele era ter visto nossa filha em um caixão lá no IML. Tenho certeza que essa imagem jamais saira da cabeça dele. Só que ele me poupava dos destalhes. Bom, ele desceu para que meus pais subissem, quanta alegria. Coitados, estavam preocupados e com muito medo de me perder. Como eu já sabia sobre os procedimentos adotados aproveitei meu pai e perguntei tudo o que queria saber. Ele é como eu e junto da minha mãe me contaram tudo. Desde o IML até o cemitério.. e de como foi doido o enterro da minha PRINCESA. Acabou a visita. Mais uma tarde, noite e madrugada.. TORTURANTE!!! E eu que sempre amei criança, não estava suportando todo aquele clima de felcidade das outras mães. Chorava pedindo minha filha, mas Deus confortava meu coração mas não me trouxe ela.
E por falar em DEUS, tive e tenho e sempre terei de perdir perdão pra Ele, nossa, como fui mal criada.. fiquei revoltada e não queria saber Dele. Porem, Ele é soberano e misericordioso.. e mesmo durante minha revolta me consolava... caso contrario acho que teria morrido. E COMO EU PEDI PRA MORRER!!!
Conheci uma mãezinha e seu bebe.. ela perguntou pelo meu.. e foi aquele climão.. mas Deus usou a boca dela.. pq ela havia perdido um bebe com 4 meses de gestação e agora estava ali com seu trofeu, se ela pôde eu tambem poderei.
Amanheu, volta o médico e a melhor noticia: ALTA!!!
Hora da visita, minha mãe e meu marido vieram me resgatar.
Hora de agradecer ao enfermeiro que Deus enviou como um anjo e cuidou de mim no pré parto o AMARO (ele me deu banho e me viu como meu marido nunca viu...rs no meio de tanta desgraça alguns motivos de risos), e a faxineira que me deu muito apoio e carinho.
Bom, lá estava eu saindo de uma maternidade sem meu bebe.. e mais vazia do que quando entrei... quando entrei sabia que havia algo errado, quando sai nem mais essa certeza que eu tinha. TUDO HAVIA SE CONSUMADO!
Primeira parada o cemitério, foi de muito contra gosto que meu marido me levou.. mas levou. Meu Deus eu esperava ver minha filha em um berço e vi o tumulo. Quanta dor, ali foi o final... eu sempre mesmo sabendo que o coração dela não batia esperava um milagre (na hora do parto queria ouvir o choro dela) só um milagre mesmo.. e ali no cemiterio era o ponto final de tudo. Chorei debruçada naquele monumento que guardava minha filha, pedia por ela, chamava por ela.. queria entrar ali e ficar lá pra sempre. Não me importava a dor daqueles que eu iria deixar. Só minha dor importava.
Fomos para casa, eu estava inconsolavel.. e mais uma etapa.. as roupinhas. Abri meu guarda roupa e me deparei com as coisinhas dela.. peguei todas, chorei abraçada a elas... continuo

domingo, 2 de novembro de 2008

Comecei a fazer força.. aquela força que só uma mãe sabe fazer.. uma força que doí mas é necessária... Dái estava quase chegando ao fim uma gestação tão sonhada e esperada.
Minha filha vem ao mundo, no momento que seria o mais feliz da minha vida, se tornou inesquecivelmente triste e doloroso pra mim.
Os médicos fizeram todo o procedimento necessario (devo omitir um fato por ter sido terrivel). Bom, o médico ainda me disse ser menina e eu já sabia. Durante todo esse tempo eu estava no pre-parto (lugar aonde as maezinhas aguarda anciosas a hora "H".. então me levam para a sala de cirurgia, levo uma anestesia e completam o processo com uma curetagem. O médico vendo a minha placenta me pergunta se FUMO, TENHO PRESSÃO ALTA OU DIABETES .. diante das minhas negativas ele simplesmente fica sem explicação para a morte de Manu. E só resta como resposta VONTADE DE DEUS.
Quero então ver minha filha, mas sou aconselhada a não ve-la.. confesso que fraquejei temendo uma dor ainda maior. E não a vi. Porém hj sei que deveria te-la visto. Só vi um pedacinho dela.. costas e perninhas. Descobri que ela tinha 31 cm (muito pequena para 6 meses).
Bom, o pior já passou.. Será?
Tinha que esperar a anestesia passar, fiquei na salão de recuperação, consegui um telefone e liguei para o meu marido, dizendo que tudo já estava bem (se é que pode se dizer "bem"). Não tinha minha filha em mim, não sentia minhas pernas e estava sozinha... e o pior tinha parado (graças a por pouco tempo) de acreditar em DEUS. Me sentia só e queria sinceramente morrer. Queria, naquela hora, que tivesse ido eu ao inves dela ou ter ido junto da minha filha.
Eu lá no hospital e na minha casa meu pai, minha mãe e meu esposo sabendo que eu estava bem. Respiraram aliviados, só que por pouco tempo.. enquanto eu ainda me recuperava a assistente social liga para eles para que fossem ao hospital. Como pode? Se eu liguei dizendo estar bem e 20 minutos depois ligam para eles irem até lá. Foi uma angustia (diz meu pai) pensaram que eu havia morrido... continuo...